Vivemos em uma era obcecada pela transformação instantânea. Queremos um corpo forte sem esforço, uma mente equilibrada sem mergulhar em nossas sombras, uma vida plena sem enfrentar o desconforto da disciplina. Buscamos o pó de pirlimpimpim, a pílula mágica, o guru, o método revolucionário que nos poupe do trabalho árduo de nos transformarmos de verdade.

Na psicanálise junguiana, há um conceito essencial: a individuação. É o processo de tornar-se quem realmente somos, integrando luz e sombra, aceitando que toda evolução exige um confronto interno. Mas o ego resiste. Ele quer mudança sem transição, resultado sem processo, crescimento sem dor. O problema é que, sem atravessar o caminho, não há destino.

Na filosofia, Heráclito nos lembra: “Nada é permanente, exceto a mudança.” Mas há uma diferença entre desejar que a mudança aconteça e estar disposto a se transformar. Para emagrecer, por exemplo, não basta querer perder peso; é preciso reconfigurar a relação com a comida, com o corpo, com os hábitos. Para alcançar saúde, não basta reconhecer a importância da alimentação ancestral e animal-based; é necessário fazer escolhas diárias que sustentem essa visão.

A mudança real exige constância e consistência – duas palavras duras para uma mente que busca atalhos. Persistir quando não há motivação, manter-se firme quando não há recompensas imediatas. Queremos a liberdade, mas sem abrir mão das amarras do conforto. Queremos o poder da transformação, mas sem pagar o preço da responsabilidade.

Mas aqui está a verdade que muitos evitam: nada muda se você não mudar. Não há fórmula mágica, não há atalho, não há ninguém que possa fazer isso por você. O peso que você quer perder, a energia que deseja ter, a clareza mental que busca – tudo isso depende de você, das suas escolhas diárias, do seu compromisso com o que diz querer.

A pergunta que fica é: você quer mudar ou apenas quer que as coisas mudem por você? Porque no final do dia, ou você assume o controle da sua própria jornada, ou continuará refém da ilusão de que um dia, por acaso, tudo será diferente.