A Saúde Como Mercadoria
A ciência deveria ser um farol de conhecimento, guiando-nos com base na observação e na verdade. No entanto, vivemos em uma era onde a linha entre ciência e comércio se tornou perigosamente tênue. Protocolos nutricionais, diretrizes de treino e até mesmo recomendações médicas são, muitas vezes, guiados não apenas pela pesquisa, mas pelo lucro. Estudos financiados por indústrias, discursos inflamados de especialistas que coincidem com produtos que vendem e a defesa cega de “verdades absolutas” são sinais de que a ciência, em muitos casos, deixou de ser um campo de descoberta para se tornar um mercado de persuasão.
O perigo surge quando aceitamos informações sem questionamento. A história nos ensina que o conhecimento sempre esteve sujeito a influências externas – seja a religião limitando descobertas científicas no passado, seja o mercado direcionando pesquisas no presente. Quem define o que é “saudável”? Quem lucra com essa definição? A alimentação e o movimento humano não deveriam ser reduzidos a fórmulas comerciais, mas sim compreendidos em sua complexidade, respeitando individualidade e contexto. A verdadeira ciência investiga, revisa, questiona. Já a pseudociência mercadológica impõe, vende e lucra.
É nesse cenário que o autoconhecimento se torna essencial. Quando terceirizamos nosso bem-estar para especialistas que seguem interesses financeiros, perdemos o poder sobre nossa própria saúde. A psicanálise nos lembra que buscamos certezas externas para aliviar nossas inseguranças internas. Mas e se, em vez disso, cultivássemos o pensamento crítico? E se aprendêssemos a ouvir nosso próprio corpo, a testar abordagens por experiência, e não por medo ou manipulação? A saúde genuína não está em um protocolo engessado, mas no equilíbrio entre informação, experiência e autonomia.