Vivemos tempos estranhos. Saber demais pode custar caro — não em esforço, mas em imagem.

Conhecer algo que outros ignoram te faz parecer arrogante. Fingir ignorância, por outro lado, te confere uma aura de “humildade”. É essa a escolha cruel que muitos enfrentam diariamente.

A questão não está apenas em parecer arrogante, mas em conviver com mentes tão frágeis que confundem clareza com prepotência. Vivemos numa sociedade que celebra a ignorância simpática e desconfia da inteligência incisiva como se ela fosse uma ameaça pessoal.

O conhecimento virou incômodo. É mais fácil tolerar a burrice carismática do que a lucidez que não se submete. Espera-se que o sábio peça desculpas por existir, que jamais cause desconforto, que nunca faça ninguém se sentir… diminuído. Mesmo sem intenção.

Mas por que esconder o que se sabe? Para caber no rebanho? Para massagear egos frágeis?

Ser “humilde” virou, frequentemente, um teatro social previsível — um papel ensaiado para aplacar quem teme a própria mediocridade.

Essa inversão de valores expõe algo perturbador: a verdadeira arrogância não está em demonstrar conhecimento, mas em construir um mundo onde saber assusta mais que ignorar. Onde o falso sorriso é mais bem-vindo que a verdade nua.

Quem prefere o conforto da dissimulação à provocação do pensamento jamais compreenderá que o silêncio, muitas vezes, representa a maior forma de arrogância. Não a de quem sabe — mas a de quem se recusa a ouvir.