Todo fim de ano traz a mesma onda de energia renovadora. As timelines se enchem de listas, promessas, números redondos e fotos de planners impecáveis.  

E todo mundo sabe como a história costuma terminar: o entusiasmo inicial se dissolve antes do Carnaval, e em dezembro a sensação é de déjà-vu.

Mas o problema quase nunca é falta de força de vontade.  

O problema é que começamos a corrida sem saber para onde, de fato, queremos chegar.

Nós definimos o que queremos fazer e o que queremos ter, mas raramente paramos para definir quem queremos ser.

Perder 10 kg, ler 30 livros, meditar todo dia, faturar seis dígitos… tudo isso pode ser lindo no papel.  

A questão é: essas metas estão a serviço de quem você deseja se tornar? Ou são apenas ecos do que parece admirável lá fora?

Metas sem identidade são como flores cortadas: belas por alguns dias, mortas logo depois.

Antes de abrir qualquer aplicativo de hábitos, qualquer planilha ou calendário de 2026, permita-se um instante de silêncio e faça a pergunta que muda tudo:


Quem eu escolho ser neste novo ciclo?

- Uma pessoa mais presente, que sabe ouvir de verdade?  

- Alguém que trata o próprio corpo como morada sagrada, e não como projeto estético?  

- Alguém sereno no meio do caos, corajoso diante do medo, generoso mesmo quando ninguém aplaude?  

- Alguém que age com coerência, mesmo sozinha no elevador?


Quando a identidade vem primeiro, as metas deixam de ser obrigações e passam a ser consequências naturais.

Ler mais não é sobre marcar caixinhas; é sobre tornar-se alguém mais lúcido.  

Cuidar da saúde não é sobre medidas; é sobre tornar-se alguém que se respeita profundamente.  

Trabalhar com dedicação não é sobre status; é sobre tornar-se alguém que honra seus dons.


James Clear disse algo que nunca sai da minha cabeça:  

“Toda ação é um voto na pessoa que você está se tornando.”


Cada vez que você escolhe dormir em vez de rolar o feed até tarde, está votando.  

Cada vez que você se levanta depois de um dia difícil e faz o que prometeu a si mesma, está votando.  

Cada vez que você responde com calma em vez de reagir com raiva, está votando.


A pergunta honesta é:  

Que tipo de pessoa os seus votos estão construindo?

Porque mudança duradoura não nasce de força bruta.  

Ela nasce de uma identidade que se torna inegociável.

Em 2026 você pode continuar tentando “fazer mais” e se frustrar como nos anos anteriores.  

Ou pode decidir ser alguém diferente — e descobrir que as ações certas fluem quase sem esforço quando estão alinhadas com quem você escolheu ser.

Este não precisa ser mais um ano de resoluções grandiosas que desmoronam em fevereiro.  

Pode ser o ano em que você para de se abandonar em nome da motivação passageira e começa a se construir, tijolo por tijolo, escolha por escolha.

Não é sobre ser perfeito.  

É sobre ser fiel à versão de você que já existe no futuro e que está apenas esperando seus votos diários para se tornar real.

2026 não começa em 1º de janeiro.  

Começa agora, neste exato instante em que você decide, com calma e coragem:


Quem eu escolho ser?

Responda isso com honestidade.  

E então deixe que todas as outras metas sejam apenas o caminho de volta para casa.

Você já é a pessoa.  

Agora é só permitir que ela apareça.  


Quem você escolhe ser em 2026?  

A resposta cabe só a você — e ela nunca foi tão poderosa.